Manual de Pinturas Especiais:
Técnica Broken
Colour
Processos Protetores
Processos de Pinturas Especiais
Ragging
Marmorização
Pátina
Estuque
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Manual de Pinturas Especiais
Pretendemos aqui, de certa forma, dar alguma luz sobre a
questão técnica, que é, muitas vezes, negligenciada em função da parte estética,
como se ao pintor coubesse apenas deixar bonito, não importando a durabilidade da
pintura.
Dado o caráter especial destas pinturas, devemos dentro do limite do
bom senso, supor sempre uma variação dos padrões que mostraremos a seguir, em função
das habilidades individuais dos pintores. Contudo, procuraremos aqui, criar condições
bem definidas para reprodução o mais criteriosa possível destes efeitos.
BROKEN
COLOUR
No Brasil, Broken Colour é o nome de uma técnica que
conhecemos com outros nomes: pintura manchada, esponjada, texturizada ou especial. Estes
nomes querem dizer que a parede não está coberta com um filme homogêneo de tinta.
Esta técnica consiste na colocação de um filme de tinta ou verniz,
que não está nem contínua nem igualmente distribuído por toda superfície. Podemos
supor portanto, que esta camada mais externa com característica descontínua, se formou
por colocação ou por remoção da tinta de forma desigual.

Processos Protetores
Devemos nos lembrar que uma pintura manchada não forma uma película
homogênea. É necessário nos certificarmos que a parede possua um filme protetor.
A tinta que nos garante esta proteção é o látex PVA ou acrílico,
que não se deteriora quando aplicarmos diluente à base de aguarrás sobre ele. Para
mancharmos uma parede, usamos diluente e tinta esmalte sintético sobre o látex..
Só que nem sempre o látex deve ser aplicado diretamente sobre a
parede. Devemos, algumas vezes, aplicar um fundo antes.
Materiais como: gesso, madeira, cimento-amianto e superfícies vítreas
como azulejo e fórmica devem receber fundos específicos para então, receber o látex.
Daremos, a seguir, atenção a alguns materiais que formam a base
protetora:
1 - Madeira: Material Fundo Branco
Fosco, Diluente à Base de Aguarrás, Thinner, Lixas grana 150/240, Espátula metálica e
escova de aço.
Preparação da Superfície
- Remover óleos e ceras, anteriores às aplicações, com demãos de thinner.
- Lixar (grana 150/240), para abertura dos poros e total eliminação das farpas.
- Remover resíduos e materiais soltos com escova de aço ou espátula e passar à
aplicação do fundo.
Aplicação do fundo branco fosco
- Primeira demão: adicionar três partes de diluente em dez partes de fundo branco fosco
( proporção 3:10).
- Aguardar o intervalo mínimo de 12 horas e lixar (grana 220/240) e eliminar os
resíduos.
- Segunda demão: adicionar uma parte de diluente em dez partes de fundo branco fosco
(proporção 1:10).
- Aguardar o intervalo mínimo de 12 horas e lixar (grana 220/240) e eliminar os
resíduos.
Obs.: O material a ser utilizado deverá ser mexido até sua
perfeita homogeneização.
Como resultado da etapa de aplicação do fundo, o suporte deve
apresentar uma superfície branca, lisa e homogênea. Não revelando visualmente a madeira
que está por baixo. Desta maneira, pode-se passar à aplicação do látex.
2 Gesso, Amianto e Paredes pintadas com Cal: Material
Fundo preparador de paredes, Diluente à Base de Aguarrás, Água/Água Sanitária
(1:1), Lixas (grana 150/220), Espátula Metálica, Escova de Aço e 1 rolo de lã ou
espuma.
Preparação da Superfície
- A superfície deve estar curada, firme (coesa), limpa, seca, sem poeira, gordura, sabão
ou mofo.
- Partes soltas ou mal aderidas devem ser eliminadas, raspando ou escovando a superfície.
- Partes mofadas devem ser eliminadas, lavando a superfície com uma solução de água
sanitária e água, na proporção de 1:1.
- Paredes que haviam sido pintadas com cal devem ser lixadas (grana 150/180/220) até a
remoção de todas partículas soltas.
Aplicação do fundo preparador de paredes
- Adicionar uma parte de Diluente em uma parte de fundo preparador de paredes (proporção
1:1) e aplicar com rolo de lã ou espuma
- Aguardar 4 horas.
Obs.: O material a ser utilizado deverá ser mexido até sua
perfeita homogeneização.
Como resultado da etapa única de aplicação do fundo, o suporte não
deve apresentar mais partículas soltas.
Em caso de suportes com relevo, faça a aplicação do fundo com uma
trincha, removendo com a mesma os excessos que se depositaram no baixo relevo. Desta
maneira, pode-se passar à aplicação do látex.
3 - Superfícies Vítreas: Material - Fundo
Fosfatizante Anticorrosivo com Catalizador e Thinner.
Para pinturas em superfícies muito lisas e de baixa permeabilidade
como azulejos ou mesmo fórmicas, deve-se:
Preparação da Superfície
- A superfície deve estar firme (coesa), limpa, seca, sem poeira, gordura, sabão ou
mofo.
- Remover a gordura com solução desengraxante ou Thinner.
Aplicação do Fundo Fosfatizante Anticorrosivo
- Misturar o catalizador ao fundo na proporção determinada pelo fabricante para chegar
ao volume desejado. Lembrar que uma vez misturado catalizador ao fundo, este só tem
aplicabilidade por 72 horas. Portanto, não prepare volume além do necessário.
- Aguardar 30 minutos.
Como resultado da etapa única de aplicação do fundo, a suporte
apresentará coloração amarelo mostarda e estará pronto para ter aderência a película
de látex posterior. Desta maneira, pode-se passar à aplicação do látex.
Uso do Látex
Látex PVA
- Primeira demão: adicionar três partes de água em dez partes de tinta (proporção
3:10).
- Aguardar intervalo de 4 horas.
- Segunda demão: adicionar duas partes de água em dez partes de tinta (proporção
2:10).
Látex Acrílico (Acetinado, Fosco e Semi-Brilho)
- Primeira demão: adicionar duas partes de água em dez partes de tinta (proporção
2:10).
- Aguardar intervalo de 4 horas.
- Segunda demão: adicionar uma parte de água em dez partes de tinta (proporção 1:10).
Processos de Pinturas Especiais
Entendido os processos protetores, passemos agora aos processos de
pinturas especiais, ou seja, temos aqui quatro processos: ragging, marmorização, pátina
e estuque.
Estes processos foram escolhidos por serem de simples utilização e
permitirem ao artesão, complexidade posterior.
Ragging
Esta é uma pintura que segue a linha das pinturas por
remoção de tinta. O efeito manchado, que pode variar do contrastante ao esfumaçado
discreto, aparece aplicando-se sobre a tinta ainda úmida, uma ferramenta de secagem.
Você poderá criar suas ferramentas de secagem com diferentes tipos de tecido, plástico
ou papel.
As dobras, as tramas e a maior ou menor absorção dos materiais, irão
determinar os diferentes padrões de pintura. Esta é uma técnica muito utilizada por ter
aplicabilidade em diversos estilos de decoração e também por funcionar como etapa
inicial de outros processos.
Esta pintura tem três etapas: uma de colocação de tinta, uma de
aplicação de solvente e uma última de secagem.
Veja as etapas passo a
passo da Pintura Ragging aqui.
Marmorização
A matéria mármore normalmente está presente em edificações
importantes, o que dá a ela o título de "Material Nobre". Engraçado é que,
ao vermos tais rochas aplicadas em igrejas ou bancos, não sabemos se é o local que dá
valor à rocha ou se é a rocha que está dando imponência ao local. De qualquer forma,
é sempre instigante vermos uma pintura enganando nossa vista e dando a uma simples parede
de alvenaria pintada, a opulência, solidez e formalidade de uma parede revestida de
mármore.
Não temos a intenção de ensinar a pintar este ou aquele mármore
específico, somente apresentaremos um esquema de pintura em três etapas que, ao se
sobreporem, criam um efeito de rocha. Pintar um falso mármore pode parecer uma tarefa
complicada, mais pelo respeito que atribuímos ao material do que pela complexidade da
técnica desta pintura. Lembre-se que para criar alguns mármores específicos, você pode
excluir ou implementar uma ou mais etapas.
Veja as etapas passo a passo da Marmorização aqui
Estuque ou Stucco
No mercado, muito tem sido feito na tentativa de tornar complexa e
exclusiva uma técnica que é simples. Alguns dão nomes especiais como estuque veneziano
ou fiorentino. Outros dizem que só conseguem o efeito misturando cola com gesso e
encerando depois. E há, ainda, os que fabricam industrialmente produtos mais caros para
alcançar tal efeito.
Como chamar de veneziano ou fiorentino padrões que não existem em
Veneza ou Florença? Qual a vantagem de se adicionar cola (cuja fórmula mais comum nada
mais é do que resina PVA) ao gesso se a indústria já fabrica massa corrida à base de
resina PVA? Que solução se dá a uma parede encerada quando chegar a hora da repintura?
Não que haja alguma coisa contra fórmulas caseiras ou pintura com cera, mas o cliente
deverá saber o risco que corre. Por último, porque pagar caro em um produto pronto se o
material comum existente no mercado permite o mesmo efeito com alguma habilidade?
Você quer aprender como se executa um Stucco?, ou mesmo quer criar
padrões de relevo com ferramentas simples e criativas?
Veja as etapas passo a passo Stucco aqui
Pátina
Ao falarmos de pátina em madeira, nos remetemos a um efeito que lembra
madeira envelhecida, suja pelo tempo, desbotada com a luz ou mesmo riscada ou raspada,
deixando seus veios aparentes .
Existem três processos diferentes que levam a aspectos finais
distintos, mas que em comum, tem o nome de pátina. São eles: Pátina acetinada (lavada
ou satinê), Pátina com veios aparentes (riscada) e Pátina com fundo (dragging).
Ao lidarmos com madeira, é sempre importante frisar que, madeiras
diferentes, quando pintada de uma mesma forma, podem resultar diferentes efeitos, visto
que a tinta mistura-se aos pigmentos naturais de cada uma delas, deixando-as no mínimo,
com a cor um pouco alterada.
Veja as etapas passo a passo Pátina aqui

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